 |
| Cada parte tem de trabalhar "com" e "para" a outra. É assim que devem ser as articulações entre o homem, seu ambiente de trabalho e o mundo |
A organização que pratica uma cultura de valor é aquela em que todos - e cada um - se envolvem no atendimento de interesses comuns de seus ambientes e relacionamentos. Não basta buscar a excelência em um ou alguns objetos de sua missão. Acionistas, clientes, recursos humanos, sociedade e demais stakeholders devem ser tratados de forma integrada nas estratégias, nos sistemas, produtos e serviços. Administrar tantas atividades requer uma cultura que oriente, dê sinergia e assegure resultados - uma cultura de valor.Neste período de intensa transição em todos os sistemas que governam a humanidade, só existe uma âncora que mantém equilíbrio entre tantos paradoxos, incertezas e fluxos desordenados: o elemento humano. No entanto, se não for criada uma cultura em que tudo isso se processe adequadamente, suas intervenções perderão de vista o senso comum.
Não se trata mais de apenas encantar o cliente, remunerar o acionista, recompensar o trabalhador ou cumprir a legislação. Tudo isso foi importante no passado. Mas sabe-se, hoje, que cada parte tem de trabalhar "com" e "para" a outra, numa perspectiva de valor. É assim que devem se processar as articulações entre o homem, seu ambiente de trabalho e o mundo.
Considerando-se a gestão de pessoas nas organizações, o CONARH 2008 estará discutindo, procurando e encontrando soluções, demonstrando resultados e, acima de tudo, propondo idéias para ação. Não basta o discurso bem intencionado sobre os valores de uma cultura de valor. É preciso identificar quem adiciona valor a quem, por que o faz, que instrumentos utiliza e quais são os fins desejados.
A primeira instância desse processo é a inspiração. Desenhar modelos, liderar pelo exemplo, procurar nos outros a razão de si mesmo, levar aos outros suas propostas de valor, construir estratégias, dar, enfim, um sentido para a cultura de valor. Processo e produto, recurso e resultado, formato e conteúdo já não são mais distintos ou, por vezes, conflitantes. Se os modelos mentais forem abertos para a mútua influência, as fronteiras se dissipam e a inspiração passa a substituir a delegação de conveniências localizadas.
A seguir, vem o engajamento, no lugar do simples envolvimento e muito além da tradicional participação. Talento exige engajamento, valor cultural dos profissionais desta geração. As organizações que insistirem em sistemas convencionais de recompensa provavelmente deixarão de atrair os talentos essenciais para a diferenciação competitiva. Uma cultura de valor é baseada em compromisso, responsabilidade e perspectiva alongada.
O terceiro elemento é a superação, aqui entendida como obtenção de resultados cada vez mais desafiantes, voltados para a próxima fronteira e não para o que conseguimos ontem. Todos falam em complexidade, como se isso somente se referisse ao processo decisório. Na verdade, o processo decisório, o foco dos investimentos em capital humano e a intensidade do crescimento estão apoiados na necessidade de superar os padrões estabelecidos, mudar o status quo, redirecionar os alvos e reconhecer novos integrantes das relações de custo-benefício. Superação é mais que evolução; é esforço permanente.
A expressão valor deixa, assim, de ter cunho marcadamente econômico, para integrar as diversas dimensões do desempenho. A gestão de pessoas deve, portanto, transformá-lo em essência da cultura, predicado de uma organização de sucesso e determinante do resultado.
Luiz Augusto Costa Leite é coordenador do comitê de criação do CONARH 2008 - 34º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas
Nenhum comentário:
Postar um comentário